Razões para ser socialista

1 – A mais óbvia e provavelmente comum a todos socialistas: promover a igualdade social.

2 – Mudar o paradigma cultural e atingir um estágio maior de bem-estar por conta de uma sinergia em sociedade.

3 – Mudar a engrenagem social e eliminar as “contradições produtivas”.

 

Explicações e um olhar mais profundo acerca desses pontos apresentados acima:

1 – Apesar de parecer, o socialista verdadeiro não pode ser um indivíduo com perfil de quem faz caridade. Na verdade, caridade e capitalismo andam de mãos dadas. Afinal, para haver caridade há de haver alguém que detém capital suficiente para poder se desfazer de uma pequena quantia sem sentir “o bolso pesar” e outra pessoa que esteja em situação tão desafortunada que precise pedir. ISSO é caridade, esmola. Fazer um trabalho voluntário ou aceitar um trabalho de menor remuneração de modo a ajudar os mais necessitados é, na verdade, uma militância, não caridade.

A questão é: meritocracia só pode existir em um ambiente em que todos partem do mesmo ponto A para chegar no mesmo ponto B. A beleza da igualdade de oportunidades está justamente no fato de as pessoas serem diferentes – o socialismo reconhece isso. Quando se tem igualdade de oportunidades (a saber: educação, infra-estrutura, saúde e transportes, de modo geral) não é o MEIO que determina quem é o melhor em uma situação, mas a própria COMPETÊNCIA individual, o que nos leva à necessidade de explicitar outro ponto – o socialismo NÃO é igualdade de salários.

Seria complicado conceber uma sociedade em que um neurocirurgião, um engenheiro de ponta ou um cientista espacial tivesse os mesmos benefícios que um vendedor trainee ou um coletor de materiais. Seria hipocrisia afirmar que o Socialismo procura o bem-estar se no Socialismo nos desfizéssemos de luxos ou de nossos próprios elementos de busca de satisfação pessoal. Gadgets, roupas bonitas, perfumes fazem parte da vida; não precisam e nem deveriam deixar de existir (grande erro da URSS). Uma casa à beira da praia sempre será uma casa à beira da praia. Até mesmo os vícios não-tão-bem-vistos (deixo para a criatividade do leitor) não podem ser ceifados de hora para outra; antes, que haja políticas de conscientização, mas que não se retire a liberdade pessoal.

Para termos como conseqüência a igualdade social, a causa que se busca é, portanto, uma só: a igualdade de oportunidades. No entanto, isso não significa transformar a nação em uma monotonia completa em que todos ganham o mesmo parco salário e não dispõem de variedade para o lazer e para as buscas de satisfação pessoal.

2 – Sinergia é a noção de que o conjunto enquanto conjunto é maior e mais forte do que a soma de todas as suas partes individuais. A produção em massa é um exemplo de uma ferramenta primariamente capitalista que, se usada para uma política de sinergia em sociedade, será uma das mais importantes ferramentas do Socialismo. Um exemplo é o trânsito: se os mais pobres precisam se acotovelar nos trens e ônibus, a única vantagem dos mais ricos é poder estar sozinho com ar-condicionado. Mas isso é o menor dos problemas quando nos deparamos com um gigantesco engarrafamento!

Se por um lado os serviços de transporte públicos hoje são ruins é, em parte, devido ao fato de que quem detém maior capital e poder político não os utiliza. Se utilizassem, haveria maior frota para conter o maior número de passageiros e, por outro lado, o tempo de espera e de viagem diminuiria exponencialmente por conta do trânsito diminuído com a ausência de carros particulares. Aplique-se isso a todo serviço público que hoje se tornou precarizado por conta da existência do mesmo serviço sob a forma privada e você verá como as coisas funcionam muito melhor quando não há conflito de interesses de uma oligarquia.

3 – Muito do que temos e muito do que não podemos ter em nossa sociedade tem grande culpa no fato de ainda estarmos no modo de produção capitalista, atravancado. Explico-me. Todo modo de produção tem um fim e um meio para se chegar a ele. Se conseguimos, historicamente falando, conquistar maior bem-estar e melhor qualidade de vida com o surgimento do capitalismo foi por coincidência, não por definição nem propósito inicial. O capitalismo tem por objetivo o acúmulo de lucro e capital e dispõe de métodos como a criação de excedente e a lei da oferta e procura para este fim. Obviamente, estes são os princípios básicos que regem o capitalismo, mas não a totalidade de artimanhas no arsenal da burguesia.

Imagine uma máquina relativamente grande e complexa com muitas peças – um computador, por exemplo. Muitas vezes poderia ser feita uma melhoria grande num dado computador com uma simples inclusão de uma peça ou substituição de uma mais fraca por outra melhor. No entanto, as empresas que as produzem fazem as tais pecinhas serem incompatíveis; elas não se encaixam de uma máquina para outra. Ou seja, por causa de uma única peça você é obrigado a comprar uma máquina nova inteira se quiser obter uma melhoria.

Pense também na indústria farmacêutica. O que seria mais lucrativo – ter nas mãos a cura para uma doença e fazer um paciente se ver livre dela ou ter um “tratamento” em que ele deve comprar mais e mais desse remédio em períodos de tempo ad eternum? É bem possível que já fôssemos conhecedores da cura para o câncer e a Aids.

O propósito do capitalismo, portanto, é agir de modo a manter os clientes em potencial sempre atraídos pelos produtos que a burguesia tem a oferecer; e não, de fato, resolver os problemas que esses clientes gostariam de ter resolvidos.

- Louis

Politicamente Correto, Socialmente Errado

“A censura reflete a falta de confiança da sociedade nela mesma. É uma marca de um regime totalitário”
– Potter Stewart, ex-juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos

As sociedades capitalistas possuem características em comum muito evidentes, por mais que se apresentem diferenças culturais entre os povos de um país e de outro. Algumas características naturais a qualquer sistema capitalista incluem a valorização do individualismo, o estímulo à competição e os modismos (roupas, músicas, filmes, etc). Isso tudo é muito legal de falar e discutir, mas hoje fugirei um pouco desses assuntos e falarei sobre uma tendência em tempos contemporâneos: o que é ser politicamente correto.

Ora, não é tão difícil assim chegar a uma conclusão sobre esse assunto. Os que defendem essa política são meros apoiadores de uma censura que tenta se justificar por meio dos tão citados “Direitos Humanos”. É engraçado ver gente levantando a bandeira de liberdade religiosa, moral, opção sexual, etc e, ao mesmo tempo, apoiando aqueles os quais procuram restringir determinadas opiniões de forma agressiva. O que procurarei mostrar aqui é como a censura se manifesta em certas questões polêmicas e como muitos de nós cai nessa conversa.

Para começar bem, temos a maioridade penal. O Brasil é um dos poucos países do mundo que sustenta a idade de responsabilidade criminal em 18 anos [1], o que é de uma demência tremenda. Nosso Estado é falho: não temos segurança, educação e muito menos saúde pública de qualidade em lugar algum do país. No que isso resulta? Em crianças e adolescentes, devidamente acobertados pelo infame Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), praticando inúmeros delitos nas cidades e saindo impunes, rindo de tudo isso. Todos nós sabemos que as coisas funcionam assim, mas sempre vem alguém “politicamente correto” com o ECA nas mãos mostrar que aquela criança não pode ficar presa. Por quê um indivíduo com 16 anos já pode votar e decidir as eleições de seu país, mas não pode responder judicialmente pelos seus atos como um adulto comum? Como diz o deputado Wagner Montes (PDT-RJ), “na hora de ir lá fazer o crime é gente grande, e quando vai preso é menor de idade” – façam-me o favor. Por quê não acostumar desde cedo essas crianças a temerem a justiça, ao invés de deixar esse tipo de coisa ocorrer? Não irá resolver o problema (longe disso), mas deve melhorar um pouco pelo menos. A impunidade em nosso país é uma questão que parece eterna, mas quando se banaliza de tal forma a criminalidade como ocorre atualmente, quando vemos noticiários diariamente tratando de homicídios por motivos vulgares e absurdos e já nos acostumamos a isso, algo precisa urgentemente ser feito. Ou será que é preciso atacarem o Palácio Guanabara para isso?.

A questão do racismo também é delicadíssima. Ok, nós sabemos que os negros foram escravizados durante séculos e mais séculos – mas eles já estão inseridos na sociedade consumista há bastante tempo também, e esse preconceito precisa ter um fim. Contudo, por quê eles podem ter um certo privilégio em relação aos demais aos olhares da sociedade? Então é tranquilo chamar um albino de “branquelo azedo”, mas se chamar um negro de “macaco” você tem motivos de sobra para ir em cana e não tem direito a fiança [2], por causa de razões históricas da cultura negra? Qual a razão disso, céus? História é história, vamos parar de remoer o que já passou e construir algo novo. Dia da consciência negra, cotas em universidades? É para rir, não é? O Brasil está, para variar, copiando um modelo americano de encarar as coisas, onde ainda há uma separação bem clara entre negros e brancos. Caiam na real: aqui é praticamente todo mundo mestiço, chega desse lance de “o preto é discriminado”. Muitos resolvem aceitar as circunstâncias aos quais estão submetidos, se fazem de coitados e injustiçados por tudo e por todos e não correm atrás dos seus próprios sonhos – aí que está o grande erro. Não se pode nem mais fazer piadas sobre o assunto, e isso é lamentável [3]. Fala isso para todo mundo que tem um amigo negro, chama o sujeito de “negão” e o cara leva na boa, como tem que ser. Todo mundo que jogou com o Pelé chamava o rei do futebol assim! Como se ele não se orgulhasse disso…os negros não são inferiores nem superiores aos demais, e isso tem que entrar, em primeiro lugar, na cabeça dos próprios, ao invés de tentarem revidar na mesma moeda como vemos em alguns locais dos EUA, por exemplo.

O caso dos homossexuais é análogo, mas diria que até mais grave pela radicalidade com as quais te retalham por não aceitar sua cultura. Eles não parecem satisfeitos em apenas mostrar ao mundo seus interesses, mas querem que todos aceitem isso de bom-grado, sem reclamações – e é isso que preocupa…as coisas nunca serão assim tão fáceis (fale isso para quem tem religião e um repulso imenso ao homossexualismo). Existe uma lei anti-homofóbica em tramitação no Senado Federal, que irá garantir determinados direitos legais a eles, se aprovada. Assim como no caso dos negros, acredito que seja necessário sim, pelo menos por ora, ter alguma limitação jurídica para inibir a repulsa ao homossexualismo na sua forma mais descarada e ignorante, mas vamos com calma. Isso é apenas uma solução temporária, e não o caminho definitivo, porque a questão é complicada [4], e não dá para negar que a aceitação geral do homossexualismo tem que ser feita aos poucos em qualquer cultura. Não podíamos usar, por exemplo, a mídia para algo útil como semear essa ideia de igualdade, já presente em diversos países europeus, em nossa cultura tão defasada?

Indo em frente…alguém aí se lembra de alguns desenhos mais antigos, os quais tinham violência entre os personagens humanos (Popeye, Cavaleiros do Zodíaco) e humor às custas das desgraças alheias (Pernalonga & Cia, Tom & Jerry, Pica-Pau)? Pois bem, o que não falta é gente criticando e inventando mil coisas para dizer que eles são uma má influência para as crianças. Sim, porque todo mundo que via Popeye aprendeu a comer um pouco de espinafre e ir lá resolver as desavenças com seu rival na ignorância. Todo mundo que via Cavaleiros do Zodíaco aprendeu que é importante colocar uma armadura sagrada e se sacrificar em prol de uma deusa da guerra para salvar o mundo de outros deuses. E quem via Pernalonga e Pica-Pau aprendeu a ser um grande malandrão que só sabe passar a perna nos outros, isso é fato, não é? Esse tipo de coisa me enoja profundamente, porque é muito óbvio  constatar que criança alguma jamais sairá replicando os atos desses personagens animados, por uma razão muito simples: elas SABEM que eles não são reais, pois vivem num mundo de fantasia onde explosões de dinamite não desintegram matéria, quedas de 100m de altura apenas achatam o corpo deles e armas de fogo são incapazes de matar. As histórias do Tio Patinhas e da Turma da Mônica também já foram criticadas por alguns infelizes [5], os quais só posso concluir que adoram “arrumar sarna para coçar”.

Temos também a imprensa invasiva na vida de pessoas públicas, sempre procurando polemizar a vida dos ídolos da mídia para aumentar a exposição do veículo. Perguntem para o Adriano (jogador de futebol do Roma, ex-Flamengo) e outras inúmeras celebridades o que é ter a imprensa inteira tentando te adequar aos padrões sociais considerados “corretos” [6]. Parece que o ser humano naturalmente tem um instinto de querer controlar compulsivamente a vida alheia, e isso fica evidenciado no caso do Imperador. Tudo bem, ele errou algumas vezes, mas quem tem que cuidar da vida do cara é o próprio, não a imprensa. Por quê não podemos admirar o cidadão pelo seu talento apenas? O Adriano vivia em festas, faltava treinamentos no clube e na hora do jogo era decisivo quando jogava pelo Flamengo. É lógico que, se o problema do indivíduo está interferindo em sua carreira de forma evidente – como aconteceu com nosso exemplo de celebridade em determinados momentos -, é válido tentar mostrá-lo o buraco cavado por ele próprio. Do contrário, não há necessidade nenhuma de tentar padronizar a vida do sujeito. Imagina se todo mundo fosse igual ao Kaká? Quão sem graça seriam nossas vidas…

Por fim, outro tema importantíssimo a ser discutido: a pedofilia. Para aquela meia dúzia de alienados que ainda não sabem disso, pedofilia é um distúrbio psíquico, não uma escolha do sujeito, então ele deve ser julgado como deficiente mental e não um indivíduo comum [7]. Mas a reclamação que deixo aqui é em relação a seriedade excessiva que as pessoas dão a isso. Com tanta mídia por trás de casos recentes de pedofilia, dá para entender o quanto algumas pessoas ficam receosas em tomar conta da criança de alguém ou mesmo pegá-la no colo para diverti-la. Já terá gente pensando besteiras, pode apostar. A que ponto chegamos, céus? Todo mundo de uma hora para outra virou um possível pedófilo em nossa sociedade, ninguém mais pode querer brincar com uma criança e vê-la feliz…tem que ter sexualidade no meio? ¬¬ Esse é o nível baixo ao qual estamos descendo aos poucos. Há alguns anos atrás não era assim – basta ver que nossos pais não tem muitos problemas com essa questão como famílias mais novas. Se existem tantos pedófilos por aí, como querem nos fazer acreditar, não é uma questão de estarmos diante de um problema social gravíssimo então?

Talvez tenha esquecido diversos outros assuntos pertinentes, mas achei esses os mais óbvios de serem discutidos. O conceito de “politicamente correto” é apenas uma forma de censura de nossos tempos modernos, que alguns estão tentando enraizar nas culturas locais. Pense nisso, e não se renda a esses apelos ridículos: confie no seu julgamento [8].

- Geo


Referências

[1] “Maioridade Penal”  http://pt.wikipedia.org/wiki/Maioridade_penal
[2] “Racismo”  http://www.soleis.adv.br/raci smo.htm
[3] “Procuradoria arquiva “Piada do King Kong” de Danilo Gentili”  http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u603102.shtml
[4] “Lei anti-homofobia: a distorcida interpretação sobre respeito”  http://www.conteudojuridico.com.br/?colunas&colunista=12447_Jose_Chagas&ver=605
[5] “Violência na Turma da Mônica”  http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=578JDB009
[6] “Sexo, mulherada, badalação. As histórias cabeludas contadas pelas “pessoas ruins” sobre Adriano, o Imperador. Ele nega”  http://noticias.r7.com/blogs/eduardo-marini/2010/03/15/sexo-mulherada-badalacao-as-historias-cabeludas-contadas-pelas-pessoas-ruins-sobre-adriano-o-imperador-ele-nega/
[7] “Pedofilia deve ser vista como transtorno mental”  http://www.adjorisc.com.br/jornais/oriosulense/saude/pedofilia-deve-ser-vista-como-transtorno-mental-1.284910
[8] “As diferenças entre os estudantes de 1957 e os estudantes de 2009″  http://haznos.org/2009/09/as-diferencas-entre-os-estudantes-de-1957-e-os-estudantes-de-2009/

A revolução está nas mãos das mulheres

Longe de mim ser femista. Quem conhece o Louis de longa data está muito mais propenso a rolar de rir com tal título (obviamente gente que não sabe interpretar o Louis direito). Entretanto é isso aí mesmo, uma verdade imensa.

Primeiro ponto: os homens são culturalmente passivos


Imaginando que a sociedade fosse só formada por pessoas de mentalidade masculina, nós teríamos realmente uma sociedade que preza pela competição. Entretanto, muito cuidado agora, tal competição não implica na negação do socialismo uma vez que a noção masculina de competitividade pode resultar tanto no que experimentamos no capitalismo como o que poderíamos ter no socialismo, uma vez que o socialismo gosta de especialização, de qualificação, de DOM. Não há nada de errado em querer trazer glórias para si, de se exibir, de ter o interesse individual. A questão é que é justamente aí que a coisa pega. Até que ponto ele cumpre as tarefas pelo desejo que tem de vê-las feitas? A partir de que ponto passa a ser pelo desejo de ter um status na sociedade, seja diretamente ou seja pelo dinheiro que se obtém pela tarefa?

No final das contas, os homens, por mais “família” que sejam, não abrem mão nem de suas carreiras e nem tampouco de seus hobbies. O homem pode nem sequer gostar de sua carreira, mas cresce nela para poder repousar nas águas calmas de seu tempo ocioso. Homens gostam do “fazer nada”, diferentemente das mulheres[1]. Assim sendo, o homem trabalha em prol de um objetivo final que é o bem-estar.

*

As mulheres têm esse senso constante de luta e de busca. Se o homem, quando encontra um oásis no deserto procura desfruta-lo, afinal, ele gosta do “nada”; a mulher, em geral reclama: “você vai ficar aí sentado nesse oásis pequenininho? Vamos procurar um melhor!”.

Essa qualidade feminina pode ser explorada ao máximo principalmente na filosofia, na política e na prática da democracia. A demonstração de opções diferentes e revolucionárias é saudável na exposição e análise críticas de uma situação. Infelizmente, com o desinteresse político pela maior parte delas, esse impulso se torna uma obsessão fútil e as mulheres se tornam a ferramenta perfeita da alienação, pois não só se iludem a si mesmas como transformam homens ao redor dela também em vítimas (da alienação).

No sistema capitalista o proletariado assumiu uma condição desfavorecida. Assim, o movimento socialista operário nasce. Da mesma forma, desde suas raízes mais primitivas (antiguidade), a mulher aparece numa condição subalterna ao homem. Visto isso, qual é a real posição do feminismo? O feminismo se alinha numa política de consciência assim como o movimento operário?

O feminismo é capitalista ou socialista? Mulheres, decidam-se.


Segundo ponto: o socialismo não se erguerá pela espada, mas pelo discurso

Quando aparece a palavra “REVOLUÇÃO”, a primeira concepção que vem à tona para a maioria das pessoas é a imagem de uma guerra civil, creio eu. No entanto, uma revolução é, nada mais nada menos, do que a desconstrução e reconstrução completa de uma sociedade em todas as suas esferas: política, econômica, filosófica, etc. Do comunismo primitivo pra sociedade clássica escravista tivemos uma. Desta para o feudalismo tivemos outra. Do feudalismo para o capitalismo uma terceira. E para o socialismo não seria diferente.

A questão é – o período de transição parece aumentar. Para que os conquistadores persas, mongóis, gregos e romanos destruíssem os pobres vilarejos que lá estavam felizes e unidos em remotas eras da Antiguidade bastou passar a machadada mesmo, coisa rápida.

Para o declínio do Império Romano já existe todo um jogo político subjacente. Idêntica à queda da Velha República como na Guerra das Estrelas, a sopa foi tomada pelas bordas e a faceta identitária da elite de Roma foi se remodelando e os altos escalões militares foram sendo tomados por bárbaros que já nem eram mais tão bárbaros assim. O Império era tão vasto e misturava tantos povos que Roma implodiu.

Na Idade das Trevas então! Até o Iluminismo despontar, amadurecer e gerar frutos foi um longo caminho. O período de transição é tão evidente que tem até nome e características próprios – Mercantilismo. O resto dessa história a gente conhece… Logo vieram os movimentos de emancipação nas Américas junto com a Revolução Francesa e cá estamos nós, mesmo depois da crise de 1929 e da atual crise calejados num sistema APARENTEMENTE eterno. Todos impérios se dizem eternos, mas nunca é e nem será o caso.

O que quero enfatizar é que não é mais a força bruta, militar que forma a Revolução. O poderio militar é só um complemento ou ainda uma ferramenta a mais a auxiliar. NUNCA será a via principal pela qual o proletariado se sobressairá perante os detentores de grande capital.


Terceiro ponto: mulheres são os outros valisíssimos 50% da população

Fico imaginando o mundo com várias Rosas Luxemburgo militando por aí! Não foram necessárias muitas mulheres do início do século XX para termos uma representante marxista da mais alta qualidade no mundo. Uma bem crítica, por sinal. Infelizmente, por outro lado, hoje sofremos um déficit feminino na compreensão da política (saber História minimamente, interpretar os fatos coerentemente e conseguir ler estatísticas sócio-econômicas de uma sociedade), que dirá no interesse político (saber que a política influencia no nosso dia-a-dia, que não é só a diferença entre escolher entre o engravatado A e o engravatado B) e quanto mais no engajamento político (militâncias, debates mais aprofundados, etc). Isso no geral, mas a proporção é ainda maior entre as mulheres.

A questão é que por mais que TODOS os homens virassem socialistas, ainda assim não é possível a Revolução, enquanto nossas mães exigem que nos casemos, que nossas namoradas exijam presente no dia dos namorados e nossas irmãs ouçam bandinha emo na rádio, alegando que elas não gostam, mas ouvem porque é o que está passando na hora. Em outras palavras: não há problema em querer se casar, o problema é se sentir obrigado a se casar. Não há problema em dar presente, o problema é ser OBRIGADO a dar presente (só porque é o dia, né?). Chego a dizer que não há problema em ter mau gosto musical. O que não pode é ser passivo quanto ao mau gosto dos outros por pura questão de passividade mesmo, por preguiça ou conformismo em não mudar de rádio. Não quero de maneira nenhuma fazer parecer que esse tipo de atitude é tão-somente feminina, mas a princípio tenho que admitir que são os exemplos mais contundentes que vejo, com maior teimosia pela parte das mulheres, sim.

Sejamos justos: o carrão que o cara compra pra ostentar, junto com as roupas de marca ou qualquer outro tipo de “necessidade” masculina são de igual futilidade. Pode parecer irrelevante, mas não é: TUDO isso é política também.

Minha declaração final não poderia ser outra: quem queima sutiã pode muito bem destruir também os grilhões do capitalismo! Mulheres socialistas de todo mundo, uni-vos!

- Louis


Referências

[1] http://www.youtube.com/watch?v=0BxckAMaTDc

Contra os subsídios raciais

Parte 1

Os chamados movimentos negros, principalmente relacionados às lutas por cotas raciais e projetos sócio-culturais, se baseiam num recurso plausível e interessante para uma causa não tão interessante assim.

Explico-me. Irei me concentrar na crítica às cotas raciais nas universidades para efeito de simplicidade. O primeiro ponto a ser criticado é a subjetividade na classificação negro/branco/pardo. No Brasil, todos são altamente misturados. Se ainda estivéssemos nos EUA, em que há segregação (por bairro ou cidade) entre as raças, seria mais fácil fazer tais classificações. Mesmo assim, estaríamos sujeitos a cometer injustiças. No Brasil nem sequer temos esse tipo de coisa e todo negão declarado tem aquele avô ou avó branquelo(a) e vice-versa.

Para os mulatos a coisa complica ainda mais, pois estão no limbo do 50% de genes para cada lado. Mais do que a herança genética, será analisada, antes, sua aparência. Nesse caso o fenótipo é o critério utilizado, não o genótipo, o que é ridículo, levando-se em conta o objetivo inicial, que é compensar indivíduos cujos ancestrais sofreram os horrores da escravidão. Ora, se a questão gira em torno dos ancestrais, então o correto seria a discriminação por genótipo. Compreendo que uma análise de DNA sairia muito cara se todos fossem querer fazer para averiguar o grau de negritude, mas é o justo.

Atento ainda para uma terceira questão – qual a porcentagem de ancestrais negros que devo ter para me encaixar no critério das cotas? 75%? 50%?

Um segundo ponto que quero explicitar é o fato de a injustiça da escravidão ter caído no gosto do povo como algo que tem que ser indenizado, mas outras injustiças não. Tomemos o exemplo do período colonial. Fomos roubados descaradamente tanto em pau-brasil, cana-de-açucar, ouro, impostos e tudo mais. Por que até hoje não ganhamos nada de volta de Portugal? Qual o critério para se considerar algo incorrigível, algo a ser ignorado dada a incompatibilidade de contextos históricos e a partir de quando passa a ser corrigível, indenizável? “Ah, colônia faz muito tempo”. Poxa, escravidão também – meio século de diferença.

Se a questão na verdade for por pura compensação do preconceito que os negros sofrem hoje no mercado de trabalho, na vida amorosa ou até para andar na rua e comprar alguma coisa, o que é a realidade, infelizmente, então deveria haver cota para qualquer outro tipo de preconceito.

A cota não é solução para os problemas supra-citados, mas é uma medida compensatória, emergencial e, pasmem, criadora de mais preconceito. Pegue um aluno com dificuldade na faculdade e logo virão comentários dizendo o quê? “Tinha q ser cotista”.

Em tom de piada, mas com algumas seriedade, eu pergunto: por que não há cotas para feios? E para baixinhos?


Parte 2

Tento sempre lembrar o leitor de que “não estou jogando contra”. Meu objetivo nunca será o de retirar direitos/benefícios daqueles q são menos favorecidos. No entanto, sempre que há um certo “desvirtuamento” daquilo no que acredito (Socialismo, no caso) eu sôo o apito na discussão.

Afora todas as dificuldades que propus na primeira parte desse texto, eu ainda assim não seria a favor de uma política de subsídios raciais. Como bem explicitado no prefácio à crítica da economia política (de Marx), as sociedades só entram em lutas de classes quando há um choque entre as forças produtivas e as relações de poder/produção.

Portanto, a aplicação dessas medidas “de esquerda” não são uma evolução nem um passo à frente em direção à justiça, à igualdade de classes nem de oportunidades. Além de fazer dormir aquele gigante revolucionário no coração da população, aquele que só se enaltece ao ver as grandes contradições do capitalismo, essas medidas dariam, eu chego a dizer, MOTIVOS para os próprios reacionários reclamarem.

Diferentemente do Fome Zero, por exemplo, que apesar de não ser um programa 100% nos eixos é um exemplo de atitude positiva. Ao meu ver, o sucesso de um programa ocorre quando não existe a Soma-zero. Para alguém ganhar, não necessariamente alguém precisa perder. Para darmos um prato de comida para aqueles que estão em situação miserável não necessariamente precisamos meter impostos no resto todo da população deixando todos os outros mais pobres; não. Com maior demanda de alimentos, esse setor econômico cresce, empregando mais pessoas para trabalhar nessa área. Aqueles que usavam todo o salário para comer e ainda faltava podem passar a comprar alguma coisa, pelo menos, nem que seja um chinelo. E lá vai dinheiro rodando por conta dessas compras.

Enfim, fecho esse post pedindo aos companheiros e camaradas para refletir sobre as medidas que vocês apóiam e sobre as conseqüências delas.

- Louis

Por quê você deveria não gostar do sistema?

“How can someone win, if winning means that someone loses?”
– “Scatman’s World”, música de Scatman John


Até esse momento, eu e Louis apenas tratamos de alguns assuntos mais específicos em relação à alienação capitalista, que dá nome a este humilde blog, os quais são consequências da coisa toda. Contudo, tentarei agora falar um pouco sobre a própria raiz do capitalismo e mostrar certas estatísticas intrigantes de nossa sociedade causadas pelo modo de produção porco e segregador ao qual estamos submetidos. Faltarão coisas, obviamente, mas vamos ver o que essa postagem pode mudar na vida de alguém…

O capitalismo se apoia, fundamentalmente, na desigualdade entre os humanos. Não é possível que alguém ache o capitalismo justo de alguma forma imaginável em relação a esse tema. A concentração de renda é algo tão absurdo que já chegamos a seguinte constatação: “Os 500 homens mais ricos do mundo possuem mais dinheiro que a metade da população mundial.” [1]. Esses 500 sujeitos por algum acaso são mais dignos desse dinheiro do que os mais de 3 bilhões de pessoas aos quais foram comparados? Por quê, eles por acaso são super-humanos? Não possuem pêlos? Não urinam ou defecam? Não fedem? Não precisam comer nem beber? Não sentem emoções? Não há nada que torne-os superiores a nós, à exceção do grande mal do sistema: o capital.

Sim, acreditamos firmemente na ideia do sujeito rico e poderoso ser praticamente um semi-deus, já que ele possui tudo aquilo o qual você sempre sonhou em ter na sua vida: uma bela mulher (visão masculina, galera), uma coleção de carros, iates e jatos particulares, mansões por todo o mundo, vai a todos os grandes eventos, conhece personalidades, etc. Esse é o abismo que há entre quem detém os meios de produção, e quem apenas utiliza-os para se sustentar. Como o indivíduo consegue toda essa fortuna é irrelevante: pode ter sido por esforço próprio (caso de esportistas, geralmente), sendo um gênio naquilo que faz, ou até mesmo roubando “discretamente” como vemos nossos caros banqueiros fazendo todo dia. Se alguma vez você encontrar alguém com a audácia de sair de um banco rindo à toa, pensando que faturou em cima da companhia, pode debochar dele sem dó. Como o grande Mestre Ageu frisou uma vez durante uma de suas aulas de Arquitetura de Computadores, o banco com certeza faturou muito, mas muito mais em cima do sujeito do que se imagina. É fácil ver isso analisando listas de maiores empresas do mundo [2], sempre dominadas por bancos.

Mas chega de falar do filé mignon e vamos ao que interessa, os outros noventa e tantos por cento da humanidade desprovidos de tamanho luxo. Dentro dessa parcela monstruosa da população, temos uma nova divisão geral entre as classes média e pobre, esta última a razão de eu estar aqui escrevendo esse texto. Sim, porque nós, da classe média, temos uma tendência tenebrosa de andar com nariz empinado e não olhar para baixo e se sensibilizar com nossos semelhantes necessitados. Isso não nos interessa. O que interessa é chegar na elite burguesa, ter tudo do bom e do melhor, ignorando todo o resto. Esse é o pior tipo de alienado: o qual tem bastante noção do quanto é ruim não estar por cima, e é incapaz de fazer algo por quem está abaixo.

A grande questão das desigualdades está na base da pirâmide: os pobres. Eles são responsáveis por uma parcela incrivelmente alta das vidas humanas no globo – é só ver quantos seres humanos ainda estão, em pleno século XXI, vivendo abaixo da linha da pobreza [3]. Colocando em números: 1/4 da população mundial vive com uma renda menor que um mísero dólar por dia. Isso não é viver, é meramente sobreviver. Como alguém consegue ficar quieto com um cenário desses? Cadê todos os banqueiros, os quais nadam em capital, para tirar seres de sua própria espécie da subsistência? Existem ONGs que tentam fazer um trabalho interessante em relação ao assunto, mas isso é coisa para o Estado – devidamente falido – resolver , não outras entidades. E não me venham falar de celebridades doando fundos para combate à miséria, e que ainda por cima se vangloriam de fazer isso. É para rir? Considero isso um dever de quem detém muito capital. Mas Billy Gould e Roddy Bottum já escreveram sobre isso muito melhor do que eu jamais faria [4].

Agora, paremos para pensar. Com menos de 1 dólar por dia, não dá para financiar um eletrodoméstico nas Casas Bahia em 30 vezes. Muito menos pegar transporte que não seja um quadrúpede para ir a qualquer lugar, ter energia elétrica ou comprar roupas decentes. Chega a ser risível pensar que, enquanto quase 1/6 do mundo não possui nem mesmo água potável para beber no cotidiano [5], existem uns salafrários, tomados pelo intenso desejo capitalista em acumular mais e mais riquezas às custas do bem-estar alheio, que têm a ousadia de cobrar imposto pela própria água da chuva [6]! É lógico que essa tentativa insana não deu certo, mas é irônico ver onde foi implementada: num dos lugares mais pobres do mundo, a Bolívia. Quero ver é ter essa coragem diante de países desenvolvidos, para tirar dinheiro de quem realmente tem. Aí nem do papel essa ideia teria saído, fatalmente. Ou alguém discorda?

Tendo dito tudo isso, fica a pergunta: será que não vale a pena abrir mão de alguns luxos de nossa sociedade altamente consumista e gananciosa afim de obtermos uma melhor qualidade de vida para a parte mais significativa, em quantidade, de pessoas? Muitos alegam que num mundo socialista não haveria estímulo à produção de novas tecnologias e mais um monte de abobrinhas. Como se precisássemos de metade dos bens que possuímos hoje para alguma coisa, né?  E muita gente faz maravilhas na ciência porque efetivamente gosta de estudar um certo assunto, o dinheiro é uma consequência do sistema para elas. A história da eletrônica, que tornou possível praticamente toda a grande revolução tecnológica do século XX, teve o que a ver com o capitalismo? No máximo a característica da globalização. Os caras foram descobrindo como as coisas funcionavam porque estavam entusisasmados com a ideia de algo novo, não porque havia financiamento por trás. O que importaria num mundo socialista seria dar sequência ao legado de novas tecnologias interessantes (e não totalmente inúteis, como vemos muito por aí) e da medicina, cujos resultados não cansam de impressionar [7].

Quando você colocar a cabeça no travesseiro para dormir, pense em como são produzidos seus produtos de marca [8]. Pense também em todos os seus vizinhos que passam fome, não têm metade do seu patrimônio material e muitas vezes se entregam à criminalidade para tentar sobreviver. Quando pensar nos bandidos, lembre-se de que seus governantes não fazem nada para dar boas condições de vida para essas pessoas. E quando pensar nos seus governantes, antes de culpar a natureza humana deles, pense em culpar o meio no qual estão inseridos, cheio de podridão e jogos de “prender rabos” alheios. De quem é a culpa? Bem-vindo à vida capitalista [9].

- Geo


Referências

[1] “Geografando: Globalização, concentração de renda e desemprego”  http://blig.ig.com.br/edsonmaia/globalizacao-concentracao-de-renda-e-desemprego/
[2] “The Global 2010″  www.forbes.com/lists/2010/18/global-2000-10_The-Global-2000_Rank.html
[3] “Um quarto do planeta vive abaixo da linha da pobreza”  http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?id=801987
[4] “Faith No More – We Care A Lot (High Quality & Synchronized audio)”  http://www.youtube.com/watch?v=Od26mvesu4U
[5] “Dia Mundial da Água: 884 milhões vivem sem água potável”  http://www.portugues.rfi.fr/ciencias/20100322-dia-mundial-da-agua-884-milhoes-vivem-sem-agua-potavel?quicktabs_2=1
[6] “Bolivia – Leasing the Rain”  http://www.pbs.org/frontlineworld/stories/bolivia/thestory.html (em inglês)
[7] “Realizado 1º transplante total de face”  http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/realizado-1o-transplante-total-de-face-24042010-15.shl
[8] “Nike Contractor in Malaysia using forced labour”  http://www.youtube.com/watch?v=9Qzm7MCusGM&fmt=18 (em inglês)
[9] “Karl Marx: O Capital”  http://www.rsraridades.com.br/sebo/images/karl%20marx%20o%20capital%20livro%201%20vol%20ii.jpg

Contra a “democracia” representativa.

Desde o Sufrágio Universal, as pessoas passaram a realmente se sentir poderosas, imbuídas com poder político, de fazer a diferença na sociedade. Pura alienação. Apesar de realmente estarmos melhores do que um camponês da Idade das Trevas, ainda não deixamos de ser, todos nós, massa de manobra, por mais politizados que sejamos.

A “democracia” foi se moldando ao longo dos anos, sofrendo tipos diferentes de maracutaias – no Brasil o voto não era secreto inicialmente, o que levou ao voto de cabresto (que até hoje se maquia sob diferentes formas; mesmo que muito reduzido ainda influencia fortemente nas votações). Depois disso temos a clara presença do Populismo-de-campanha, que alguns podem reconhecer como uma outra forma de voto de cabresto, pois é um tipo mais safado de Populismo, que não visa uma compensação de camadas menos favorecidas, não visa aquecimento de mercado, nem nada mais que não ganhar mais votos do povão. Mas essas manobras não são o que quero tratar aqui – pretendo ir mais fundo.

Perceba que o modus operanti da politicagem há de ser coisa maquiada. As malandragens são feitas de uma maneira que o próprio povo, imerso num jeito de pensar, numa cultura política, vê tudo aquilo como normal. Veja por exemplo o caso das estatísticas pré-eleitorais – até aí tudo certo, né? Não! O fato de existir estatísticas influencia na votação. Eu não vejo diferença entre pesquisa de intenção de voto e boca-de-urna. Entretanto, sabemos que um é legal e outro ilegal.

Entenda que para todo grupo de trabalhadores que se formam em qualquer profissão, ali está se formando um circulo fechado, uma instituição. Oras, se temos representantes políticos, eles formam um círculo fechado dos representantes políticos. A questão é – eles são os únicos com poderes de legislar. Porque não legislar a favor desse circulo fechado? Em outras palavras – qual a dificuldade de legislar em benefício próprio? E aí vemos a realidade – políticos, além dos salários de saltar os olhos, de trabalhar 3 dias por semana, das viagens pagas com dinheiro público, de auxílios em cima de auxílios, ainda gozam de imunidade política, o que só aumenta a impunidade para barbaridades que deveriam ser punidas em igualdade ao resto da população, ou melhor – agravadas! A idéia de representante para mim é alguém que serve de exemplo. Se o próprio representante comete um crime, além de ter que pagar por ele, deveria pagar pelo fato de não estar sendo um bom exemplo.

Além disso, tenho a certeza de que além do fato de ser uma profissão muito bem paga, o fato de os políticos estarem sempre próximos a transações de capital de proporções gigantescas é algo de um risco muito grande. Pegue todos os doutores em direito que você conseguir e coloque todos em um ambiente em que haja situações BURLÁVEIS em todos os cantos que se possa olhar – maravilha!

Aliás, aí está mais uma coisa no mínimo suspeita – política, que deveria ser sinônimo de dialética, discussões acaloradas, militância, empenho, não é nem de longe o que associamos aos congressos e câmaras. Não vemos “militantes” se esgoelando por suas causas, mas vemos de montão mais doutores e doutores em direito. Ou seja, creio q a maior parte daqueles que lá estão, não estão por questões de mudança na sociedade, mas sim por fins puramente individuais, por partido, por campanha, por benefício próprio. Até porque, eu não lembro, do fundo de minha alma a última vez que houve uma discussão acalorada por uma questão central, uma questão realmente de POLITICA. Mas exemplos para discussões acaloradas sobre baixarias e denúncias estamos cheios aí. Tem até “herói” por aí que “rouba mas denuncia”.

Por isso, sempre gosto de fazer clara a diferença entre Política e Politicagem. Economia, História, Sociologia são estudos que interessam à Política: influenciam nela e são influenciados por ela. Politicagem é tudo aquilo relativo ao indivíduo representante. Contagem de votos para fulano, partidos, rabo-preso, eleições, escândalos, campanha, etc. A politicagem, portanto, só existe porque existe representatividade. Inclua aí corrupção, desvios de verba, nepotismo, repressão (coerção) de movimentos reivindicativos, domínio da mídia, entre outras tantas coisas que estragam a sociedade e encarecem a vida.

Vamos para uma análise mais profunda agora.

Temos no Brasil representação através de partidos, os quais englobam um número de indivíduos (candidatos/políticos). Esses partidos são os responsáveis por conter a ideologia que REPRESENTARIA o povo, não os indivíduos. Os congressos são compostos por cadeiras multi-partidárias, condizentes com os votos da população. A trama começa a se enrolar agora. Em eleições a pergunta é sempre “em QUEM você vai votar” e não em qual partido. A impressão que se dá é que todos vão lá, pesquisam a história de vida do candidato, vêem o currículo político dele, analisam e dizem “é, fulaninho é mais competente que sicrano”. Isso é ridículo. Muito mais fácil é entrar no site do partido, ler panfletos do partido, ir para debates e palestras promovidas pelo partido do que ficar ouvindo historinha de vida de alguém. Até porque a idéia de um partido político é justamente a de uma agremiação de pessoas com ideais parecidos. Se um individuo é eleito pelo partido X e começa a agir totalmente de forma contrária a esses ideais, o próprio partido o destitui ou torna parte dele dissidente, como foi o caso exatamente do PSOL com o PT.

Aí tudo bem; elegemos um presidente tal, mas todos os deputados são do partido contrário. Todos fazem uma proposta, a qual o presidente vetará. O presidente surge com uma proposta e todos os deputados votam contra. E assim vai até que as partes decidem entrar em acordos – “eu deixo ser aprovada a idéia X se vocês votarem a favor da minha Y” e assim vão sendo feitos conchavos. Já cansei de ver partidos de forte ideologia de esquerda fazerem aliança com partidos de direita para ganhar mais votos e vice-versa. O que ocorre é que aquele partido pode até acabar sendo eleito, mas sua ideologia vai ser maculada em muitos pontos. Quanto mais alianças e concessões, mais há um distanciamento daquela idéia central.

Isso não seria problema, teoricamente, afinal política é a arte da negociação. A questão é que isso é feito total e exclusivamente pelos representantes, torno a repetir. Daí, num embate entre as ideologias 1,2,3,4,5 e 6 contras as A,B,C,D,E e F , talvez o povo escolhesse a 1, a B, a 3, a D, a 5 e a F; enquanto os representantes podem ter se entendido em 2,A,4,C,6 e E… Há de se torcer, portanto… O fator principal aí é sorte mesmo.

Inclusive, a própria noção de partido, que é o que há de mais puro na política (pelo fato de ser, ali, a teoria intocada), já não é suficientemente representativa. Por mais apaixonado e engajado que um indivíduo seja com seu partido, nunca há concordância em 100%, pelo fato de que um partido é uma agremiação, não um monólogo.

Concluo, portanto, que a “democracia” representativa está longe de ser democrática e está longe de representar seu povo. Ela permite a existência de diversos males para a população, sendo os mais conhecidos a corrupção, o nepotismo e a impunidade. A politicagem se sobrepõe ao fazer político e a própria noção de política como uma tarefa coletiva se dissolve, sendo enevoada por preocupações de cunho criminal direcionadas a indivíduos destituídos de interesse em mudar a sociedade em que estão inseridos.

- Louis

Algumas reflexões sobre o machismo e o feminismo

“Por causa de nossas circunstâncias sociais, homens e mulheres são realmente duas culturas e suas experiências de vida são absolutamente distintas”

- Kate Millett, escritora americana


Discutir o machismo/feminismo é sempre algo complicado, sob qualquer ponto de vista imaginável. É absolutamente impossível negar que, sendo homem, vejo as coisas de um jeito que as mulheres não veem e vice-versa em relação a esse assunto, por mais que tentemos parecer imparciais. Afinal de contas, as emoções entram em conta aqui, não é algo puramente racional. Já antecipo que sei o que é uma generalização excessiva e um estereótipo, mas usarei alguns conceitos amplamente discutidos do mundo masculino e feminino de um modo geral. Como diz o Louis, “não trabalho com exceções, mas sim com a regra”, então antes de dizer que você não segue o modelo, procure olhar ao seu redor. E vamos em frente.

Diversas culturas antigas adoravam uma Deusa Tripla [1] e, em algumas delas, a sociedade era matriarcal. Sim, já existiu um tempo em que isso era verdade: as mulheres abusavam dos homens e usavam-nos para fazer o trabalho braçal e realizar suas orgias. Acreditava-se que os filhos nasciam por fecundação divina, seja por meio dos rios ou pelos próprios ventos, e quando descobriu-se a importância do homem para a procriação, a coisa mudou de figura. Pelo maior porte físico natural masculino, os homens foram aos poucos dominando essas sociedades, e a partir daí todos sabemos como as coisas se desenrolarem. E chega de falar de antiguidade…

Homens e mulheres devem ter direitos iguais? O bom senso nos diz que sim. Não há razão lógica para impedir as mulheres de se divorciarem de seus maridos, competirem com os homens no mercado de trabalho ou mesmo ter direito de votar, para ajudar na escolha de seus futuros governantes. Por incrível que pareça, essa conquistas são muito recentes [2], o que nos mostra que a mulher há muitas eras andou sendo vista apenas como um objeto do homem, sucumbindo a seus desejos e vontades sempre que lhe era conveniente. E ai delas se reclamassem: o povo inteiro, inclusive outras mulheres – devidamente imersas na cultura local -, se voltava contra ela.

Por que eu estou dizendo isso tudo? Para mostrar que as mulheres até hoje ainda são vítimas da dominância masculina – e não questionam isso! Já vimos as grandes conquistas recentes do movimento feminista, mas ainda há muito a ser feito. Alguém duvida que as mulheres ainda ganhem, em média, menos que os homens, mesmo que seja fazendo a mesma função [3]? Ou que ainda existam muitos homens que veem as mulheres como meros objetos sexuais, e mulheres que supostamente “tiram proveito” disso fazendo o sujeito gastar dinheiro com elas? Ou ainda, que a mídia e publicidade de forma geral são extremamente machistas? Esse último assunto merece nossa atenção especial.

Quando falo em mídia e publicidade machistas, não me refiro apenas aos comerciais de cerveja com mulheres semi-nuas e apelação à líbido masculina que vemos todos os dias na televisão [4]. É muito mais que isso. Alguns exemplos crassos: da onde vem a ideia que, se o homem sai com várias mulheres ele é o macho alfa, e se a mulher fizer o mesmo com outros homens é estimada por tudo e por todos de modo pejorativo como “piranha”? Por quê há tamanhas diferenças de julgamento social entre um homem solteiro (tido como normal) e uma mulher solteira (tida como feia, mal-amada, etc)? E o que dizer sobre o Dia Internacional da Mulher? Ridículo. Assim como o da consciência negra. Isso estimula mais a segregação e o preconceito!

Uma coisa recente é a mania de mulheres adolescentes, aparentemente para mostrarem que tem personalidade e atitude, se envolverem com outras mulheres e se dizerem bissexuais durante esse período. Pura campanha machista! Se tem uma coisa que um homem gosta de ver é duas mulheres se agarrando. Não sei, é natural no universo masculino ter essa fantasia. Quem coordena algumas séries e filmes famosos atualmente parece estar mais e mais divulgando essa ideia [5], e vemos muitas mulheres (especialmente adolescentes) no dia a dia aderindo a ela. Não que vocês verão algum homem reclamando disso (nunca!), mas o fato é que há uma grande manipulação para fazer vocês acharem isso “bom”, mesmo sem gostar muito da coisa. Por quê com os homens a coisa é tão diferente? Não se vê muitos bissexuais homens: ou o cara já saiu do armário, ou está se segurando pra sair ou simplesmente nunca entrou lá mesmo. E a mídia ainda resiste muito em dar espaço para eles, exatamente porque não interessa a maioria heterossexual ver isso na televisão.

Não preciso mais ficar dissecando aqui o que todo mundo já sabe e sente na pele todo dia…mas acho importante falar sobre o cavalheirismo, algo que anda meio aleijado atualmente. Não estou propondo seguirmos a linha das lendas do Rei Arthur, quando o garoto com 14 anos era promovido de pajem para escudeiro e ficava até os 21 sendo um verdadeiro servo das mulheres do castelo e aprendendo a como tratar uma dama da forma correta para a época. Mas um pouco de gentileza não faz mal a ninguém! As mulheres sempre gostaram de ser bem tratadas, desde que o mundo é mundo. O problema está no fato de algumas resolverem pensar com a genitália ao invés do coração: veem um cara bonitão, rico, com carrão mas que é um verdadeiro animal selvagem. E então algum tempo depois voltam para casa chorando, decepcionadas com a vida. Na sociedade onde o dinheiro é que manda, vale muito mais um cara rico e idiota do que o gentleman mais pobre a curto prazo – parece que as mulheres só aprendem que nunca serão felizes assim quando passam por essa situação algumas vezes…mas é seguro dizer que elas de fato aprendem. Tem uma hora na vida que cansamos de buscar as coisas de imediato, e começamos a semear o que queremos colher.

E para não dizerem que só estou criticando e não proponho nada interessante…ao pensarmos numa sociedade sem divisão social ou de classes, é mais ou menos auto-explicativo o que deve ser feito: se voltarmos à Divisão Natural do Trabalho, com suas devidas adaptações modernas, obviamente. Vamos botar os fatos na mesa: as mulheres são muito mais emotivas – e portanto se abalam com mais facilidade -, têm de lidar com a famosa Tensão Pré-Menstrual durante um certo tempo do mês, sofrem com as cólicas menstruais, são mais vulneráveis de diversas formas, etc…por quê tentar insistir em competir ferozmente com os homens em serviços que exigem muito do corpo feminino, que não foi “projetado” para isso? Os homens são verdadeiras máquinas de trabalhar, e é o que fazemos desde a pré-história, mesmo que a mando feminino, como vimos anteriormente. Vendo assim, parece que proponho uma divisão abismal de ambientes entre homens e mulheres, mas estou apenas considerando algumas funções sociais básicas aqui (por exemplo, a mulher é melhor cuidando da casa que o homem, já que tende a ser mais detalhista, atenta e aturar atividades repetitivas…e os homens, por terem noções espaciais e força física maiores, iam mais à luta diária), nada como “você é mulher, não pode frequentar esse ambiente” – isso seria ridículo. Ninguém estaria impedido de praticar esportes, fazer coisas que gosta como hobby, etc: seria algo tão natural que parece até ridículo não termos isso hoje. Só estou considerando o pensamento masculino de que o homem deve se arriscar mais para garantir o sustento da mulher e filhos e as mulheres devem sempre ficar protegidas e cuidarem da família. Acredito que isso seja uma característica que transcende os modos de produção, e deverá estar presente também num ideal comunista.

Só para deixar registrado, sei sim que o espaço feminino segue crescendo na sociedade, principalmente quando olhamos coisas como delegacia da mulher (um mal que considero necessário para garantir que a justiça seja feita) e as batalhas judiciais entre pai e mãe pela guarda de uma criança, quase sempre vencidas pelo apelo feminino – o que chega a ser um absurdo em alguns casos [6]. São passos importantes, mas mais diagonais do que verticais, se é que vocês me entendem. Ainda falta muita coisa. A coisa que mais desaprovo é a tendência que os movimentos feministas têm de ficar apoiando outras correntes por pura marra com o machismo, tentando criar uma turbulência: elas se aliam aos movimentos homossexuais, por exemplo, e assim misturam assuntos completamente distintos, e que, pior de tudo, não têm muitas coisas em comum a não ser o desejo de passarem de oprimidos a opressores [7]. Mas não entrarei nesse mérito, pelo menos não hoje…

E chega, já escrevi demais! Homens: parem de pensar em conquistar sempre a mulher mais bonita e comecem a dar valor a outras características femininas também. E mulheres: lutem por seus ideais e valores, e esqueçam o príncipe encantado…prefiram o herói de guerra! [8]

- Geo

Referências

[1] “Triple Deity”  http://en.wikipedia.org/wiki/Triple_deity#Triple_goddesses (em inglês)

[2] “Feminist movement”  http://encyclopedia.farlex.com/feminist+movement (em inglês)

[3] “Mulheres têm mais estudo, mas ainda ganham menos que os homens, diz IBGE”  http://cfo.org.br/imprensa/saiu-na-imprensa/mulheres-tem-mais-estudo-mas-ainda-ganham-menos-que-homens-diz-ibge/

[4] “Brahma commercial”  http://www.youtube.com/watch?v=DcXKU1rvOik&feature=related

[5] “Na TV, beijo entre mulheres está na moda”  http://www.botadentro.com.br/?p=1024

[6] “Ministro do STF determina que Sean permaneça no Brasil”  http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/12/17/brasil,i=161644/MINISTRO+DO+STF+DETERMINA+QUE+SEAN+PERMANECA+NO+BRASIL.shtml

[7] “Homossexualidade e o totalitarismo das massas”  http://causaliberal.com.br/causaliberal/index.php?option=com_content&task=view&id=326

[8] “Capa do filme “Legionário” ”  http://www.mundomovie.com.br/fotocapafilme/Legionario-1.jpg

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